Arquitetos da Saúde: Sinistralidade dos planos de saúde ficou em 81,9% em 2025 | Arquitetos da Saúde
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Arquitetos da Saúde: Sinistralidade dos planos de saúde ficou em 81,9% em 2025

Por Wilian Miron | www.broadcast.com.br

São Paulo, 15/01/2026 – A sinistralidade acumulada dos planos de saúde ficou em 81,9% em 2025, um dos níveis mais baixos da série histórica fora da pandemia de Covid-19, aponta uma pesquisa feita pela consultoria Arquitetos da Saúde em conjunto com a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

Esse indicador é resultado do crescimento da base de beneficiários, que teve a adição de quase 1 milhão de beneficiários em 2025, e da diferença de prazos entre receitas recebidas à vista e despesas pagas no futuro.

De acordo com o levantamento, esse cenário ajudou as operadoras a registrar resultados recordes: o lucro líquido alcançou 6,73% da receita até o terceiro trimestre de 2025, com peso relevante dos ganhos financeiros favorecidos pelos juros elevados.

Com maior equilíbrio entre receitas e despesas assistenciais, o setor opera em um patamar considerado “de cruzeiro”, o que, segundo os especialistas, reduz o espaço para novas quedas da sinistralidade e influencia a calibragem dos reajustes aplicados aos planos. “Em 2025, o resultado operacional voltou a aparecer de forma consistente, algo que não víamos há anos. Mas o ganho financeiro teve peso decisivo”, disse o cofundador da Arquitetos da Saúde, Luiz Feitoza.

O reajuste médio dos planos de saúde empresariais considerando o período de 12 meses até agosto de 2025, foi de 15,57%, uma queda de 2,3 pontos porcentuais em base anual de comparação.

Por outro lado, o estudo revela desequilíbrios na cadeia. Hospitais enfrentam prazos médios de recebimento de 78,5 dias e glosas iniciais em torno de 18%, o que afeta o fluxo de caixa e pode se refletir em negociações mais duras de preços e contratos. Além disso, o aumento das provisões técnicas e da judicialização adiciona pressão aos custos do sistema, indicando que, mesmo com resultados recordes, o debate sobre reajustes e sustentabilidade permanece central para o setor. “Não existe sistema de saúde suplementar sem hospitais, sem operadoras, sem empresas e sem pacientes. Ou funciona para todos, ou, em algum momento, deixa de funcionar para todos”, disse o diretor-executivo da Anahp, Antônio Britto.

Por Wilian Miron
wilian.miron@estadao.com