Arquitetos da Saúde

O limite do downgrade e uma constatação inédita sobre o mercado da saúde suplementar

No cenário atual da saúde suplementar, gerenciar custos e negociar reajustes tornou-se uma verdadeira arte marcial corporativa. Na Arquitetos da Saúde, acreditamos que a única forma de tomar decisões seguras nessa arena é iluminando o painel de controle com dados precisos e depurados.

Como parte do nosso compromisso proativo em gerar inteligência setorial contínua para os nossos parceiros e assinantes do B3S (nossa ferramenta de BI de dados públicos), preparamos uma análise estratégica profunda sobre os movimentos que estão reconfigurando o desenho dos benefícios no Brasil.

A exaustão da estratégia de downgrade tradicional

Se olharmos historicamente para o comportamento das carteiras em todas as regiões do país, fica evidente um movimento sistemático de downgrade dos produtos. Elementos que no passado geravam uma clara percepção de exclusividade e serviam como diferenciais do plano médico que em muitos casos serve de atração de talentos perderam espaço de forma significativa nos últimos 10 anos.

O cruzamento de dados públicos do setor demonstra três fenômenos consolidados:

  1.  A onipresença da coparticipação: O que um dia foi uma exceção de mercado tornou-se a regra quase absoluta nos produtos comercializados hoje.
  2.  A regionalização da área de cobertura: Planos com abrangência nacional têm cedido espaço de forma acelerada para desenhos de redes regionais.
  3. A mudança no padrão de acomodação: A internação em acomodação apartamento (quarto privativo) vem perdendo relevância para o crescimento expressivo de acomodações coletivas (Enfermaria).

Sabemos que essa mudança não reflete uma preferência real do contratante, mas sim a principal moeda de troca utilizada pelas empresas na mesa de negociação para mitigar índices de reajuste insustentáveis.

O grande alerta analítico: No ritmo atual, a repetição contínua dessa mesma estratégia tornou-se inviável. Todo downgrade tem um limite físico e estrutural. Não há como fazer downgrade infinito sem em algum momento comprometer o acesso. E é justamente aqui que a nossa equipe de análise de dados fez uma constatação inédita.

A nova fronteira do corte — a redução silenciosa de dependentes

Fomos buscar no B3S uma métrica frequentemente ignorada, por não ser regulada de forma direta pela ANS: a proporção de dependentes por titular. O resultado nos surpreendeu e revela onde os contratantes estão encontrando espaço para conter custos quando as opções de produto se esgotam.

A sistemática redução do padrão do plano chegou à regra interna de elegibilidade das empresas contratantes.

Ao analisarmos a série histórica que será apresentada à seguir, a queda na proporção de dependentes em relação aos titulares é nítida e transversal, afetando o quadro geral e os principais modelos de contratação:

No total geral do mercado: A relação de dependentes por titular vem registrando queda consistente a cada ano.

No segmento coletivo empresarial: Onde a livre negociação de reajuste é permitida, sobretudo para empresas acima de 29 vidas, o encolhimento é evidente. Se isolássemos o efeito colateral do crescimento recente de micro contratos (empresas de até 5 vidas, muito impulsionadas por formatos como o MEI, que possuem características estritamente familiares), essa queda estatística na média/grande empresa provavelmente seria ainda mais alarmante.

Nos planos coletivos por adesão e individuais: Onde o impacto financeiro atinge diretamente o bolso da pessoa física, o movimento de exclusão de dependentes segue tendência similar ainda que tenha alcançado leve recuperação nos últimos dois anos, motivado pelo coletivo por adesão, mas cujo motivos podemos apenas supor, por exemplo, aumento da remissão por morte do titular? Não é possível afirmar.

Por que isso está acontecendo?

Essa diminuição pode se justificar pelo aumento da cobrança sobre o grupo familiar onde a coparticipação combinada com a contribuição direta exigida para o pagamento do plano dos dependentes.

Como o contratante busca controlar o aumento do custeio do plano médico e ao mesmo tempo mitigar o risco de extensão do benefício no pós-emprego (legislação dos artigos 30 e 31 para demitidos e aposentados), a estratégia em muitas empresas tem sido manter o titular compulsoriamente no plano com isenção total da mensalidade, exceto coparticipação, enquanto a inclusão do dependente passa a ser opcional e com repasse majoritário do custo do plano. Isso pode estar impondo uma lógica para o titular onde o dependente só fica se a condição financeira da família permitir.

Claro que tais medidas dependem de inúmeras variáveis, o que diz o Acordo Coletivo de Trabalho fechado com o sindicato, empresas que nunca tiveram plano compulsório e apenas mantiveram sua política etc. mas é possível dizer por observação que muitas empresas fizeram alterações em suas políticas internas nos últimos anos.

Os reflexos e riscos dessa tendência

Anti-seleção de risco

É natural supor que o titular fará um esforço financeiro para manter apenas os dependentes mais propensos ao uso (com histórico de tratamentos ou condições crônicas), desassistindo os saudáveis do sistema.

Envelhecimento artificial da massa

Sem a entrada de dependentes mais jovens, a idade média das carteiras corporativas acelera , pressionando a sinistralidade futura.

O único ponto de alívio – a não redundância (teórico)

O único aspecto que pode ser lido como positivo seria a eliminação de coberturas redundantes, dado o cenário comum em que ambos os cônjuges trabalham e possuem planos em suas respectivas empresas — embora isso não seja uma verdade universal e nem altere a tendência de diminuição observada no gráfico.

Transforme dados em estratégia de defesa

Esta análise é apenas um pequeno vislumbre do poder de cruzamento de indicadores que o ecossistema de dados públicos nos proporciona.

Se você já é nosso cliente de assinatura do B3S: Acesse a sua plataforma ou fale conosco, pois alguns indicadores podem não estar explícitos no painel por ser fruto de uma análise investigativa.

Mas para o assinante, podemos disponibilizar esses dados e curvas detalhadas. Caso essa análise tenha gerado alguma curiosidade ou dúvida específica que poderia ser útil sobre a sua região ou carteira, responda a este e-mail e nossa equipe técnica terá o maior prazer em ajudar.

Se você ainda não assina o B3S: Não continue navegando às cegas em um mercado em profunda mutação. Não perca a oportunidade de iluminar o seu painel de controle e enriquecer suas análises com informações estratégicas como esta.

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Dados depurados geram argumentos imbatíveis.